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Especialistas internacionais em queimadas participam de visita técnica no Jalapão

12/07/2013 - Ascom/Naturatins

Entre os dias 6 e 10 de julho, o Instituto Natureza do Tocantins - Naturatins foi representado pelo gerente da unidade de conservação no Jalapão, João Miranda, que participou de uma visita técnica sobre manejo e medidas de proteção contra o fogo nas Unidades de Conservação – UCs na região jalapoeira. Neste período as UCs visitadas foram o Parque Estadual do Jalapão - PEJ e Estação Ecológica Serra Geral, que é gerenciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – Icmbio e que faz limite com o PEJ e juntos formam uma área fortemente atingida por queimadas de grandes proporções todos os anos.

A visita técnica foi organizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente - MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama,  o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Prevfogo,  a  Cooperação Técnica Alemã – GIZ, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Semades, o ICMBio e Naturatins.  O trabalho teve como proposta apresentar estratégias de prevenção das queimadas e promover a discussão de metodologias de prevenção de incêndios entre profissionais e técnicos nacionais e internacionais para com isso aperfeiçoar o plano de proteção das UCs do Jalapão.

Durante os três dias em que o grupo ficou no acampamento de uma das unidades de combate às queimadas, especialistas em fogo discutiram e trocaram experiências de manejo do fogo para combater e controlar de melhor forma as queimadas no cerrado.  As impressões de como essas ações são feitas na África e na Austrália foram repassadas aos demais pelo consultor em fogo Robin Beatty, proprietário da empresa especializada em consultoria na área de fogo, 321Fire, em Moçambique, e convidado a participar da visita técnica pela GIZ. Beatty afirmou que o trabalho feito no Tocantins na prevenção e combate ao fogo segue o mesmo padrão realizado em outros países na confecção dos aceiros negros. Segundo o especialista, “a diferença está na estratégia utilizada no Tocantins, já que é priorizado o feitio de aceiros, utilizado como amparo em barreiras naturais como rios e estradas”.

Durante a visita técnica, os participantes tiveram a oportunidade de subir o Morro do Fumo, local onde os brigadistas do Icmbio têm vista total da área da Estação Ecológica, além de participar da confecção de queimada de 2 km de um dos aceiros no entorno do morro, o que para a maioria foi o ponto alto dos trabalhos, haja vista que puderam conferir o processo de queimada controlada.

Ao conversar com Johann Goldammer, considerado um dos maiores especialistas em fogo do mundo, e diretor do Centro Mundial de Monitoramento do Fogo, com sede em Freiburg na Alemanha, a equipe passou a ter uma visão diferente do fogo e o entendimento de que o impacto das queimadas no Cerrado é maior devido à grande quantidade de matéria orgânica por ele produzido no período das chuvas. Goldammer explicou que a chama é um mal necessário para regiões carentes como a do Jalapão, onde os residentes do interior e entorno das UCs não possuem outra forma para preparar a terra para o plantio de subsistência. Para o especialista, o que deve ser feito com as comunidades é a capacitação do manejo da queima controlada.

Em outro momento da visita técnica, o grupo acompanhou uma queimada da roça de esgoto, como é comumente chamada pelos moradores da região, por ser feito o processo de esgotamento da água de uma vereda. O processo foi feito com a participação de brigadistas do Icmbio e técnicos do Prevfogo e teve objetivo a demonstração do procedimento adequado no momento em um morador pede auxilio do órgão para que seja feita a queima moderada, evitando, assim, o fogo descontrolando, potencial causador de desastre ambiental.

No último dia de atividades, o grupo se deslocou à sede do Parque Estadual do Jalapão, onde pode conhecer o trabalho dos brigadistas locais e se reunir para debater o que foi realizado durante os dias de acampamento.

A avaliação das ações efetuadas até o momento para amenizar os impactos do fogo no Cerrado foi positiva. “É uma vitória, já que o trabalho realizado no Jalapão é hoje considerado uma referência positiva no controle do fogo em um ambiente de cerrado”, julga Christian Berlink, técnico do Icmbio. Berlink ainda destacou que o MMA recomenda a redução e combate do fogo e, quando necessário, o controle no uso das áreas de preservação pelos residentes (moradores) do interior das UCs. No Jalapão essa medida vem sendo adotada com sucesso, haja vista que já existe parceria entre os residentes e os gestores das unidades. A previsão é de que esse acordo seja institucionalizado na forma de elaboração de um termo de convivência entre as partes envolvidas.

Foi unanimidade entre os profissionais, durante o encerramento do evento, o destaque para a grande quantidade de áreas degradadas pela decorrência contínua de queimadas ao longo dos anos. Esse processo não permite a regeneração total do cerrado, podendo ocasionar a desertificação dessas áreas, posto que o solo desse ecossistema, em especial o do Jalapão, é delicado por ser muito arenoso.

“O que o Brasil precisa para a diminuição do fogo descontrolado é a elaboração de políticas públicas mais eficientes, compra de equipamentos e a contratação de um maior contingente de pessoas capacitadas para o combate”, afirmou o especialista Johann Goldmmer.

A visita técnica foi proporcionada pelos parceiros do Projeto Cerrado Jalapão, e faz parte das estratégias previstas na elaboração do projeto, compondo a sequência de ações que vêm sendo realizadas desde 2012.

Projeto Cerrado-Jalapão

Com o lema “Mais cerrado, menos fogo”, o objetivo do projeto Cerrado Jalapão – Prevenção, Controle e Monitoramento de Queimadas Irregulares e Incêndios Florestais no Cerrado - é colaborar com a redução do desmatamento e das queimadas, contribuindo, assim, para a conservação da biodiversidade do Cerrado e para a redução das emissões de Dióxido de Carbono (CO2) na atmosfera.